O Piropo

Caos e Psicanálise…

Sobre Hipsters, o Vintage e a radicalização da Psicanálise

Sou fã de hipsters…

Sim, eu sei: quem, atualmente, ainda se preocupa, fala ou dá qualquer tipo de atenção a esse grupo de pessoas?

Afinal, faz tempo (para nossos padrões temporais eletrônicos) que surgiram e, há  quem diga, já estão sumindo na pós-pós-modernidade do discurso, misturados que podem ser com a pós-verdade e os atuais conceitos de realidade…

Será mesmo que chegaram a existir?

Bom, o propósito desse texto não é analisar sua existência de fato, ou não. A ideia dele é falar de um dos legados com o hipster relegou em sua curta, porém impactante, meia-vida.

Para quem não os conhece, hipster é o termo dado às pessoas que se perceberam diferentes do seu entorno pela sua exaltação de estilos (de fundo imaginário, diga-se de passagem) mais antigos.

Seja no jeito de se vestir, nos produtos por eles consumidos, na pretensa vida à parte do padrão “correria desenfreada” pós-2008 daqueles que corriam para salvar (e se salvar) dos efeitos da crise desse ano…

Bom, com eles, o conceito de “vintage” foi retomado e passou a nomear uma série completamente nova de produtos e, inclusive, um estilo de vida…

Nesse sentido, amo os hipsters….afinal, para bem ou para o mal, eles plantaram esse conceito e são, assim, responsáveis pelo seu estabelecimento.

Sem essa retomada, talvez não conseguiria falar, hoje, da retomada da radicalidade do discurso psicanalítico.

Pense assim: a psicologia, pela via da psicanálise, se torna Vintage.

O que quero dizer com isso?

Na banalização do discurso psicológico (já existiu um?) vejo a pretensão enganadora de que se pode “fazer o bem”.

Como se isso fosse, num primeiro tempo, possível, e num segundo, necessário!

Ao alívio do mal estar, não nos cabe outra coisa a não ser reconhecê-lo…

Porém, no projeto psicológico, o mal estar é entendido como algo a ser extirpado; eliminado por completo!

A psicologia, aliciada e enquadrada pela psiquiatria, se torna um macaquinho a dançar o realejo, repetindo discursos que a atravessam, não no sentido positivo, mas como uma espada atravessa um coração incauto….

O clamor pelo vintage, à retomada pelo cerne da psicanálise (não confundir cerne com tradição – dela vou falar em textos futuros, mas vale dizer que do tradicional a psicanálise faz muito bem se livrar!), é necessário para servir de contra ponto radical, na raiz, a esse discurso normalizador, comé e superficial a que se entregou a psicologia.

É com isso em mente que convoco o apelo ao vintage, à palavra que, como verbo e significante, opera mudanças e lança o humano aos séculos vindouros.

Na linguagem, seja ela tradicional ou de programação, o ser humano se perpetua!

A Pornografia Social

Sabe aquele seu amigo que não cansa de mostrar sua insatisfação com o “estado geral das coisas” pela internet?

Sabe aquele grupo do WhatsApp que insiste em fagocitar a bateria de seu telefone em atualizações constantes de indignações?

E aquele cara, bacana e cool, que se coloca como na linha de frente contra todo tipo de injustiça? Que abraça toda e qualquer “minoria” como se sua?

Esse cara se chama Justiceiro Social (ou SJW, na sigla em inglês)….

Eu tenho outro nome pra ele: pornógrafo social…

O “choque”, a “indignação” como a mais-valia dessa moeda virtual que é, em si e para os outros, um gozo pleno numa orgia coletiva de justiceiros, movimentos sociais e baluartes da igualdade.

 

Dê a temperança a eles e se verão diante de seu próprio vazio…

 

Caos, afinal, por favor!

A divina colmeia a e falácia da comunicação

Li há pouco esse texto que trata das mudanças que a internet e, mais recentemente, as mídias sociais, estão operando na forma como nos comunicamos.

É inegável que, no escrito, se entrega uma promessa muito bela; uma utopia de sentidos e sentimentos que busca apaziguar o erro inato da condição humana de se expressar.

Afinal, somos ou não devotados à causa da completude e perfeição?

A comunhão que apagaria qualquer traço de falha e nos tornaria unos numa apoteose über-religiosa, temo, é impossível…

Assim como é impossível o dizer pleno, completo. A verdade absoluta. Me parece que vivemos, no entanto, em uma época em que acreditamos que não só somos capazes de descortinar essa verdade, mas, acima de tudo, que esta é tão absoluta e perfeita que não haveria, assim, espaço para qualquer outra noção ou conceito que lhe fizesse frente.

Época chata em que vivemos na metonímia e esquecemos da metáfora…

 

Fazia tempo que não escrevia um novo post por aqui, fato…

Talvez me perguntava, sem saber, qual a razão de se escrever. Pensava, talvez, que a mensagem sumia, diluída nessa colmeia de barulhos e sentidos que chamamos de humanidade.

Mas qual seria então a função da escrita, se não transformar, primeiramente, aquele que escreve?

Assim, volto. Sem padrão, longe disso! Quero contrabalancear o caos e a metáfora, agentes da transformação, numa nova ideia de comunicação.

O falasser hoje, calado, grita, mesmo assim, o quê?

 

 

 

Do útero à Culpa

E sobre a culpa que as mães sentem?

 

A sentem por não estar presente num momento importante de seu filho;

A sofrem pela distração de não escutar plenamente uma palavra;

A presenteiam-se pela sua impossibilidade de não ser….completa;

 

 

Essa culpa, me parece, é expressão das mais belas que existe na relação mãe-filho: a linguagem e todos os (d)efeitos que ela acarreta.

 

 

Pois não seria justamente nessa culpa que o desejo se comunica?

Não seria nessas reprovações que uma mensagem mais fundamental é transmitida?

Não seria nesse querer, quase sempre impossível, que uma fala é, essa sim, é possível?

 

P.S: como base em extensão ao que escrevi, trago esse outro, fantástico!, de Maria Rita Kehl. Leiam-o por inteiro!

Lula “Humanizado” e o Movimento #partiubrasil

Engraçado como operam os efeitos da empatia…

Nas últimas semanas, ficou muito difícil ficarmos indiferentes ao agravamento da crise política aqui do Brasil. Grampos, golpes e galhofas mil tomaram conta do noticiário; mesmo o mais desavisado, alheio, alardeava: “Põe nas notícias!”

 

De novo, engraçado o efeito da empatia…

A mim, sob seu efeito, surgiu uma personagem inusitada: o Lula Humanizado.

 

Essa personagem contrasta ferozmente e eloquentemente com aquela que estamos acostumadas a ver: rábico, bufando palavras de ordem a seus companheiros; incendiando o país…

 

Confesso, me tornei fã do Lula Humanizado. Dessa novela, espero o próximo capítulo!

 

O Lula Humanizado é, finalmente, gente como a gente. É gente como nós, que leva o famoso “cagaço” do Estado (thanks Aspones!); que perpetua o “hã-hãn” como figura de linguagem desse mesmo cagaço que, de tão comum a nós, humanos brasilis, desperta uma empatia sem igual a esse homem messiânico (até então…).

 

Empatia essa que simpatiza Lula e o torna sujeito de toda sua estória.

 

Por outro lado, vejo o recrudescimento na verve de quem pede sua cabeça: “Finalmente”, bradam eles! “Afinal exposto”, gritam as passeatas!

 

Caído, Lula, como nunca antes na história deste país, na sua estória, serve de espelho a nós, brasileiros.

Todos ansiosos, aguardamos que algo seja concluído; por nós, para nós, em nós…

 

Esse Lula Humanizado é a representação mais fiel do Brasil, maior que qualquer ideologia; mais completa que qualquer partido!

 

Aliás, de partido entendemos muito bem! Afinal, não cansamos de falar quão polarizada, “partida”, está nossa nação. “Partido” significa a nossa própria incapacidade de se enxergar nas implicações de Lula Humanizado.

 

Como cães diante do espelho, ladramos para nossa própria imagem…

 

#partiuBrasil

 

Neofeudalismo

Em tempos de banalizações dos discursos de esquerda, a mais-valia nunca esteve tão presente, mesmo que velada, em nossas vidas.

 

Na política dos “Termos e Condições” que assinamos sem ler de nossas várias manifestações nas mídias sociais, essencialmente estamos dando pleno poder a essas empresas; e quando a balança pende completamente para um lado, o outro se esfacela.

Perdemos assim controle de nossas produções, de nosso direito de queixa pela forma como essas produções podem ser utilizadas por essas companhias e, por fim, mas de forma muito mais sinistra, damos a elas o direito pleno para nos “obliterar” de suas plataformas; sem mais, nem menos, assinamos nosso obituário…

 

Nos tornamos combustível para uma indústria de capital tão brutal que faria Marx pagar todas suas dú(í)vidas; envergonhado por se levantar contra aquele então tão demonizado capitalismo…

 

E esse capital é a totalidade de nossas vidas, em sua forma digital.

 

Assim, como no feudalismo, trocamos o direito de sermos por um quinhão de terra; atualmente, essa terra se traduz a um login e um perfil na sua mídia social de escolha.

 

O poder do consumo alcançado no ocaso de nossa espécie mascara a inefável verdade de que há consumo sim, mas de nós, via nós mesmos, pela mão maciça de um Outro; que hoje, para além dos piores pesadelos orwellianos, é presente e pornograficamente real…

 

No século XXI, é necessária uma nova política…mas estamos dispostos a busca-la?

Consumismo da Linguagem

Ao ler esse texto, não pude deixar de questionar a minha atual posição de distância das palavras. Aridez do dizer que surge justamente quando tanto se diz, de tudo (nada).

Nesse mundo verborrágico, quem escolhe ficar mudo, assiste de camarote (agregando valor, claro…)

 

Assim, prometo retomar, com mais frequência, esse espaço de palavras. Não acho que o mutismo seja solução, mas desolação…

Acho o tema muito pertinente e merecedor de mais reflexão…e vocês?

Nós controlamos o medo?

Pode ser coisa da minha cabeça, paranoia de sala de estar, mas não estamos caminhando em direção à fantasia do filme “Idiocracia”?

Para quem não conhece, o filme retrata uma distopia onde o mais mediano dos seres humanos é considerado um gênio diante de uma nação de energúmenos. O filme, dentre várias sacadas cada vez mais possíveis (para meu espanto!), traz um viés que gostaria de abord(t)ar aqui: a nossa “escolha” de certezas e nossa consequente cegueira às demais ideias.

 

Poxa, será mesmo, então, que é só coisa da minha cabeça a nossa crescente truculência diante de opiniões contrárias?

Não estou aqui adotando qualquer tipo de gênero ou posição, mas ao desfile de opiniões, se silenciou o debate.

 

Todos os macaquinhos devidamente arvorados a jogar merda entre si….

 

Li uma contrapartida a esse status quo e, claro, vou compartilha-la com vocês. Leiam e chorem (ou algo que valha…)…

 

Aproveitando, vou os deixar com uma música da nova banda de Baron, Tau Cross, cujo título nos dá um pouco do caminho que devemos seguir para nos livrar desse excesso de certezas…

 

 

Malaise

Quando a frustração é de tal maneira arrebatadora, parecendo sublimar o ar que tu respiras, o que fazer?

 

Essa frustração se repete e aparece nas mais mínimas ocasiões; minando sua própria fome de viver e vontade de seguir em frente.

Acossado, vago de rotina em rotina procurando algo, qualquer coisa, que acendesse uma chama; esperança vã, pois se algo vir mesmo a arder, vai ser sua/minha /nossa própria carne…

 

Desse jeito, prostrado, parece que as horas se aglutinam; maçaroca insana da teoria da relatividade colocada em ato; prova irrefutável da desengrenagem quântica…

 

Hoje foi o wi-fi? O que vem a seguir?

 

Mundanamente, se discute as proibições cristãs da carne. Tapetes são abertos e destruídos; a eterna roda da “vida” se repete, repete, repete, reptep ,eptepe, repte, ….

 

Nessa condição, o menino de 12 anos se coloca; eternizado no spleen; bile revirada pela maresia das sensações.

 

Engraçado: quanto mais avanço, mais retorno. Tempo cronológico, you bitch!

 

Mas o que me propele à frente é a curiosidade; aquela caça ao tesouro da juventude que encerra um mundo inteiro de esperança e surpresas. Se essa curiosidade se for, o que me resta é somente a resignação de ser, em mim mesmo, uma promessa jamais cumprida; uma traição ao outro; um desejo não realizado…

De muitos recortes esse texto foi construído; de quantos mais ainda precisarei me esconder?

Dívida ou divi(di)da?

Engraçado quando nos deparamos com um significante que nos define não? Aquelas palavras, sempre a sua frente, flutuando, aparecendo, reaparecendo, vomitadas, nunca engajadas…

Eis então, como que por um passe de mágica, seu sentido se desdobra, cola a outras palavras, e faz efeito…e que efeito!

 

Há alguns meses escutei que o campo da psicanálise, por acontecer num espaço simbólico, abstrato, é extremamente difícil de suportar…e é mesmo!

Quão rapidamente pedimos socorro às amarrações imaginárias que nos parecem bem mais confortáveis, sempre que nosso chão da realidade parece sacudir diante da ação da palavra cortante.

 

Mas como ciência do impossível, contraponto da definição clássica da política, é justamente pela via do descalabro que desabrochamos; nada permanece, somente os black dots…

 

Mas por que no feminino?

 

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