O Piropo

Caosofia

calada…

Tudo, tudo mesmo, só é porque um significado há.

Veja uma bola, seja ela de qual jogo for. Se ela não existisse para fazer parte de uma comoção, envolta por regras e cheia de expectativas, o que seria ela além de um amontoado esférico de couro ou borracha?

O que seriam das leis se simplesmente as deixássemos de respeitar? Aliás, o que nos faz acreditar nelas como salvaguardas para nossa vida? Qual a razão de seguí-las?

E o amor? Por que acreditar nele? Qual a garantia que isso empresta para nós? Qual a promessa que ele sanciona? Ou que sancionará?

Ainda apanho para entender isso tudo.

Não há manual para sentimentos e muito menos para a vida. Cada um tem a sua, seja seu vizinho ou amigo; seu pai ou mãe. Suas experiências, infelizmente (ou felizmente) não servem como um modelo chave-fechadura para nós mesmos e nem para qualquer outra pessoa além deles próprios…

Às vezes tem a ver com a verdade: como encontrá-la? Onde? Ou mesmo de qual verdade falamos?

Verdade pode ser espiritual, pode ser pessoal e, muitas vezes, política. Verdade, essa vacila sempre né?

Daí podemos pensar: “o importante é a jornada por ela, e não o que encontramos no ‘final’ do caminho”.

É…quem sabe…

Hoje, atualmente, nesse exato instante, penso nos significados. Valores. Pesos. Significantes. Aquilo que atribuímos às coisas de nossas vidas.

Então, agora, hoje, no momento, não atribuo coisa alguma à minha. Como a verdade, vacilo em encontrar momentos em que algo faça sentido. Sentido?!

E não estou sendo exigente viu? Qualquer coisa seria muita coisa; qualquer sentido me amarraria; me ataria e, acho, sei lá, me impederia de flutuar. De me sentir sem gravidade, vazio e esvaziante. Perdido e (se) perdendo.

Gerúndio e particípio…

era uma vez ele e ela. resolveram (se) mudar, mas mal sabiam eles,

tuberculose, azedume e azeviche

tragédia.

 

essa vem da grécia, mas acontece em todo lugar. Começa com alguém e não para, jamais,

ardor, câncrio e miasma

devoção.

 

por outro, a outro, de outro, com outro, n’outro, Outro;

pús, colocar e enxertar

silêncio.

 

O verbo para, tudo para, ele.

As aparências enganam, trucidam e levam vantagem. Corre o jogo, linha de impedimento, linhas brancas, cortes e sevícias.

Amordaçado, feto indignado com a situação do seu vizinho, trucida e canibaliza útero que o envolvia. Em sua sanha mutiladora, come o cordão umbilical e o regurgita, na vã esperança de salvar a mãe que o envolvia.

“Tentei recriar o que me envolvia”, diz o feto às autoridades.

Feto e mãe caminham no inferno.

Agência (mor)ters

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Estações

Como as estações, resolvi mudar.

Comecei outono, dourado e reluzente. Frio, mas nem tanto.

Já se entrevia, penso, tempos mais frios, desolação astral que, me parecia, vivia num eterno hesitar; porvir.

Mas veio…

Inverno, quando aí, se instala mesmo.

Era na sala, no banheiro, embaixo da pia e no quarto também.

É na rua, na esquina e, claro, no trem.

Inverno vem e fica. Teu frio arrepia, te muda, eterno e belo. Azulado, mas sem cor.

Primavera

Explosão de sons, de vida.

Será?

Tudo muda por aqui. Nada permanece igual.

Que bom…

Será?

Estados maníacos de ser

Nada gruda, nada agarra…

Acostumado à uma vida em que os pensamentos são coisa, elo se espanta sempre que a mania se interpõe em suas entranhas.

“Como fazer isso permanecer?”, se pergunta.

Como?

Mania de raiva, mania de dor, mania de pensar o demais muito pouco e de pensar o pouco demais. Mania que assola, mania que assombra e assoberba. Mania que vem e que vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai…mas nunca fica.

Já pensou?

Mundo maníaco. O que seria delo?

Mania borbulha, mania chia, “está pronto”!, mania está no ponto ou crua, tanto faz….é mania.

A escadaria da frustração…

Até quando alguém anda por uma escada dessas?

Exite prazo de validade, volição, para manter o passo, marcapasso, nesse caminho?

Escada, eterna, que leva o quê? Alguém sabe, ao menos/certo?

 

O incesto é a única relação pura; demais em dem(azia) acabam em devassidão

 

Afinal, quais são as regras?

Ontem assisti à “It Follows” (não vou colocar o título nacional por que não ok? Façam uma pesquisa sobre o filme no Google e verão a razão).

O filme de terror, considerado uma das melhores produções em sua categoria em muito tempo, realmente faz jus ao hype…

Assistam!

Mas uma coisa me chamou a atenção, fora as qualidades óbvias da película. Me chamou a atenção porque, como bom fanático por filmes de sustos e medos primordiais, um traço há em comum em todos as produções assustadoras: regras.

“Cemitério Maldito”: não enterre nada no cemitério.

“Candyman”: não repita por cinco vezes esse nome da frente do espelho.

“Hellraiser”: não resolva o enigma da caixa; e assim por diante…

Já entenderam né?

Os filmes de terror são como contos de fadas modernos, nos mostrando limites, tabus e medos que servem a um objetivo: que ao nosso desejo um limite precisa existir.

Limite esse imposto pelo Outro.

Mas e quando não há regras? Quando o terror que nos persegue não encontra fronteiras? Não faz litoral?

Quando a maldição bate a um ritmo intermitente, sem pressa, mas infindável?

Quando o roteiro não nos salva?

O que resta?

gaveta de silêncios…

o menino, desde sempre, guardou seus silêncios em uma gaveta…

a dor de perder, a frustração de ganhar, o medo de amar… todos silêncios, todos guardados em sua gaveta…

imagine o tamanho da gaveta!

imagine quantas gavetas!

o menino, adulto, acumula silêncios…

o adulto é a gaveta

Que patriarcado?!

Como assim?! Existe quem pense que isso existe?

Arcamos nós, sujeitos, pela pátria, pelo pétreo, pelo pátrio e pelo pátio que insiste em acumular sujeira…

meiofiosujo.jpg

The boy that was a shadow

Once there was this boy, he lived in a very dark place, with no windows nor a way out to the world whatsoever.

Each day he had to grope around the walls of this place just to ger a hold on where he was, the size of it and if there were anything or anyone else there.

 

The dungeon, that’s what he was calling it, was his life and his life was the dungeon….

 

It was hard but he couldn’t understand the whole notion of the gruesome situation he was at because he never experienced anything else.

 

Now, he was the dungeon…

 

Until one day!

 

On this day, he saw a light. It was dim, very weak, yes, but a light, nevertheless.

And that struked him hard!

Initially, he could understand the place where he’s been living since forever; then, he could sense something else, something that surrounded him and the place.

 

All the energy the boy had, all his will, he directed towards making that thin ray of light bigger.

 

And as it grew stronger, he became stronger! He became aware of the whole world, different, brighter, than the one he knew so far.

 

Once he managaed to open a full size door, he finally stepped out of the dark place he knew his whole life.

Now, for the first time ever, he could see!

He was no longer a shadow, he was no longer in the darkness…

cave399

Source: https://aquileana.wordpress.com/2014/04/03/platos-republic-the-allegory-of-the-cave-and-the-analogy-of-the-divided-line/

Ele…

Ele tinha muitos amigos: “Posso sair todo dia com uma turma diferente”, se vangloria.

Ele gozava numa família, também. Essa não tão superlativa, uma mão e um filho, só…

Pela graça de nosso deus e jesus cristo, caminha pela terra, certo de que o próximo convite está a um virar de dias; um toque de telefone; um bater de palmas.

Sim, palmas….domingo foi o tal do “Dia de Palmas”…vi um aleijado andando com uma em sua cadeira de rodas…me lembrou um chapéu…

Ele insistia: “Há que ter vários amigos, assim como eu!”

Era o que repetia

E repetia…

Mais uma…

Uma última vez!

Ele traia à sua família e assistia a vida passar e aos convites esperar.

Esperando, se arrependeu, pois o convite principal, a si, não se deu.

Amém

 

Sobre Hipsters, o Vintage e a radicalização da Psicanálise

Sou fã de hipsters…

Sim, eu sei: quem, atualmente, ainda se preocupa, fala ou dá qualquer tipo de atenção a esse grupo de pessoas?

Afinal, faz tempo (para nossos padrões temporais eletrônicos) que surgiram e, há  quem diga, já estão sumindo na pós-pós-modernidade do discurso, misturados que podem ser com a pós-verdade e os atuais conceitos de realidade…

Será mesmo que chegaram a existir?

Bom, o propósito desse texto não é analisar sua existência de fato, ou não. A ideia dele é falar de um dos legados com o hipster relegou em sua curta, porém impactante, meia-vida.

Para quem não os conhece, hipster é o termo dado às pessoas que se perceberam diferentes do seu entorno pela sua exaltação de estilos (de fundo imaginário, diga-se de passagem) mais antigos.

Seja no jeito de se vestir, nos produtos por eles consumidos, na pretensa vida à parte do padrão “correria desenfreada” pós-2008 daqueles que corriam para salvar (e se salvar) dos efeitos da crise desse ano…

Bom, com eles, o conceito de “vintage” foi retomado e passou a nomear uma série completamente nova de produtos e, inclusive, um estilo de vida…

Nesse sentido, amo os hipsters….afinal, para bem ou para o mal, eles plantaram esse conceito e são, assim, responsáveis pelo seu estabelecimento.

Sem essa retomada, talvez não conseguiria falar, hoje, da retomada da radicalidade do discurso psicanalítico.

Pense assim: a psicologia, pela via da psicanálise, se torna Vintage.

O que quero dizer com isso?

Na banalização do discurso psicológico (já existiu um?) vejo a pretensão enganadora de que se pode “fazer o bem”.

Como se isso fosse, num primeiro tempo, possível, e num segundo, necessário!

Ao alívio do mal estar, não nos cabe outra coisa a não ser reconhecê-lo…

Porém, no projeto psicológico, o mal estar é entendido como algo a ser extirpado; eliminado por completo!

A psicologia, aliciada e enquadrada pela psiquiatria, se torna um macaquinho a dançar o realejo, repetindo discursos que a atravessam, não no sentido positivo, mas como uma espada atravessa um coração incauto….

O clamor pelo vintage, à retomada pelo cerne da psicanálise (não confundir cerne com tradição – dela vou falar em textos futuros, mas vale dizer que do tradicional a psicanálise faz muito bem se livrar!), é necessário para servir de contra ponto radical, na raiz, a esse discurso normalizador, comé e superficial a que se entregou a psicologia.

É com isso em mente que convoco o apelo ao vintage, à palavra que, como verbo e significante, opera mudanças e lança o humano aos séculos vindouros.

Na linguagem, seja ela tradicional ou de programação, o ser humano se perpetua!

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