O Piropo

Caos e Psicanálise…

Afinal, quais são as regras?

Ontem assisti à “It Follows” (não vou colocar o título nacional por que não ok? Façam uma pesquisa sobre o filme no Google e verão a razão).

O filme de terror, considerado uma das melhores produções em sua categoria em muito tempo, realmente faz jus ao hype…

Assistam!

Mas uma coisa me chamou a atenção, fora as qualidades óbvias da película. Me chamou a atenção porque, como bom fanático por filmes de sustos e medos primordiais, um traço há em comum em todos as produções assustadoras: regras.

“Cemitério Maldito”: não enterre nada no cemitério.

“Candyman”: não repita por cinco vezes esse nome da frente do espelho.

“Hellraiser”: não resolva o enigma da caixa; e assim por diante…

Já entenderam né?

Os filmes de terror são como contos de fadas modernos, nos mostrando limites, tabus e medos que servem a um objetivo: que ao nosso desejo um limite precisa existir.

Limite esse imposto pelo Outro.

Mas e quando não há regras? Quando o terror que nos persegue não encontra fronteiras? Não faz litoral?

Quando a maldição bate a um ritmo intermitente, sem pressa, mas infindável?

Quando o roteiro não nos salva?

O que resta?

gaveta de silêncios…

o menino, desde sempre, guardou seus silêncios em uma gaveta…

a dor de perder, a frustração de ganhar, o medo de amar… todos silêncios, todos guardados em sua gaveta…

imagine o tamanho da gaveta!

imagine quantas gavetas!

o menino, adulto, acumula silêncios…

o adulto é a gaveta

Que patriarcado?!

Como assim?! Existe quem pense que isso existe?

Arcamos nós, sujeitos, pela pátria, pelo pétreo, pelo pátrio e pelo pátio que insiste em acumular sujeira…

meiofiosujo.jpg

The boy that was a shadow

Once there was this boy, he lived in a very dark place, with no windows nor a way out to the world whatsoever.

Each day he had to grope around the walls of this place just to ger a hold on where he was, the size of it and if there were anything or anyone else there.

 

The dungeon, that’s what he was calling it, was his life and his life was the dungeon….

 

It was hard but he couldn’t understand the whole notion of the gruesome situation he was at because he never experienced anything else.

 

Now, he was the dungeon…

 

Until one day!

 

On this day, he saw a light. It was dim, very weak, yes, but a light, nevertheless.

And that struked him hard!

Initially, he could understand the place where he’s been living since forever; then, he could sense something else, something that surrounded him and the place.

 

All the energy the boy had, all his will, he directed towards making that thin ray of light bigger.

 

And as it grew stronger, he became stronger! He became aware of the whole world, different, brighter, than the one he knew so far.

 

Once he managaed to open a full size door, he finally stepped out of the dark place he knew his whole life.

Now, for the first time ever, he could see!

He was no longer a shadow, he was no longer in the darkness…

cave399

Source: https://aquileana.wordpress.com/2014/04/03/platos-republic-the-allegory-of-the-cave-and-the-analogy-of-the-divided-line/

Ele…

Ele tinha muitos amigos: “Posso sair todo dia com uma turma diferente”, se vangloria.

Ele gozava numa família, também. Essa não tão superlativa, uma mão e um filho, só…

Pela graça de nosso deus e jesus cristo, caminha pela terra, certo de que o próximo convite está a um virar de dias; um toque de telefone; um bater de palmas.

Sim, palmas….domingo foi o tal do “Dia de Palmas”…vi um aleijado andando com uma em sua cadeira de rodas…me lembrou um chapéu…

Ele insistia: “Há que ter vários amigos, assim como eu!”

Era o que repetia

E repetia…

Mais uma…

Uma última vez!

Ele traia à sua família e assistia a vida passar e aos convites esperar.

Esperando, se arrependeu, pois o convite principal, a si, não se deu.

Amém

 

Sobre Hipsters, o Vintage e a radicalização da Psicanálise

Sou fã de hipsters…

Sim, eu sei: quem, atualmente, ainda se preocupa, fala ou dá qualquer tipo de atenção a esse grupo de pessoas?

Afinal, faz tempo (para nossos padrões temporais eletrônicos) que surgiram e, há  quem diga, já estão sumindo na pós-pós-modernidade do discurso, misturados que podem ser com a pós-verdade e os atuais conceitos de realidade…

Será mesmo que chegaram a existir?

Bom, o propósito desse texto não é analisar sua existência de fato, ou não. A ideia dele é falar de um dos legados com o hipster relegou em sua curta, porém impactante, meia-vida.

Para quem não os conhece, hipster é o termo dado às pessoas que se perceberam diferentes do seu entorno pela sua exaltação de estilos (de fundo imaginário, diga-se de passagem) mais antigos.

Seja no jeito de se vestir, nos produtos por eles consumidos, na pretensa vida à parte do padrão “correria desenfreada” pós-2008 daqueles que corriam para salvar (e se salvar) dos efeitos da crise desse ano…

Bom, com eles, o conceito de “vintage” foi retomado e passou a nomear uma série completamente nova de produtos e, inclusive, um estilo de vida…

Nesse sentido, amo os hipsters….afinal, para bem ou para o mal, eles plantaram esse conceito e são, assim, responsáveis pelo seu estabelecimento.

Sem essa retomada, talvez não conseguiria falar, hoje, da retomada da radicalidade do discurso psicanalítico.

Pense assim: a psicologia, pela via da psicanálise, se torna Vintage.

O que quero dizer com isso?

Na banalização do discurso psicológico (já existiu um?) vejo a pretensão enganadora de que se pode “fazer o bem”.

Como se isso fosse, num primeiro tempo, possível, e num segundo, necessário!

Ao alívio do mal estar, não nos cabe outra coisa a não ser reconhecê-lo…

Porém, no projeto psicológico, o mal estar é entendido como algo a ser extirpado; eliminado por completo!

A psicologia, aliciada e enquadrada pela psiquiatria, se torna um macaquinho a dançar o realejo, repetindo discursos que a atravessam, não no sentido positivo, mas como uma espada atravessa um coração incauto….

O clamor pelo vintage, à retomada pelo cerne da psicanálise (não confundir cerne com tradição – dela vou falar em textos futuros, mas vale dizer que do tradicional a psicanálise faz muito bem se livrar!), é necessário para servir de contra ponto radical, na raiz, a esse discurso normalizador, comé e superficial a que se entregou a psicologia.

É com isso em mente que convoco o apelo ao vintage, à palavra que, como verbo e significante, opera mudanças e lança o humano aos séculos vindouros.

Na linguagem, seja ela tradicional ou de programação, o ser humano se perpetua!

A Pornografia Social

Sabe aquele seu amigo que não cansa de mostrar sua insatisfação com o “estado geral das coisas” pela internet?

Sabe aquele grupo do WhatsApp que insiste em fagocitar a bateria de seu telefone em atualizações constantes de indignações?

E aquele cara, bacana e cool, que se coloca como na linha de frente contra todo tipo de injustiça? Que abraça toda e qualquer “minoria” como se sua?

Esse cara se chama Justiceiro Social (ou SJW, na sigla em inglês)….

Eu tenho outro nome pra ele: pornógrafo social…

O “choque”, a “indignação” como a mais-valia dessa moeda virtual que é, em si e para os outros, um gozo pleno numa orgia coletiva de justiceiros, movimentos sociais e baluartes da igualdade.

 

Dê a temperança a eles e se verão diante de seu próprio vazio…

 

Caos, afinal, por favor!

A divina colmeia a e falácia da comunicação

Li há pouco esse texto que trata das mudanças que a internet e, mais recentemente, as mídias sociais, estão operando na forma como nos comunicamos.

É inegável que, no escrito, se entrega uma promessa muito bela; uma utopia de sentidos e sentimentos que busca apaziguar o erro inato da condição humana de se expressar.

Afinal, somos ou não devotados à causa da completude e perfeição?

A comunhão que apagaria qualquer traço de falha e nos tornaria unos numa apoteose über-religiosa, temo, é impossível…

Assim como é impossível o dizer pleno, completo. A verdade absoluta. Me parece que vivemos, no entanto, em uma época em que acreditamos que não só somos capazes de descortinar essa verdade, mas, acima de tudo, que esta é tão absoluta e perfeita que não haveria, assim, espaço para qualquer outra noção ou conceito que lhe fizesse frente.

Época chata em que vivemos na metonímia e esquecemos da metáfora…

 

Fazia tempo que não escrevia um novo post por aqui, fato…

Talvez me perguntava, sem saber, qual a razão de se escrever. Pensava, talvez, que a mensagem sumia, diluída nessa colmeia de barulhos e sentidos que chamamos de humanidade.

Mas qual seria então a função da escrita, se não transformar, primeiramente, aquele que escreve?

Assim, volto. Sem padrão, longe disso! Quero contrabalancear o caos e a metáfora, agentes da transformação, numa nova ideia de comunicação.

O falasser hoje, calado, grita, mesmo assim, o quê?

 

 

 

Do útero à Culpa

E sobre a culpa que as mães sentem?

 

A sentem por não estar presente num momento importante de seu filho;

A sofrem pela distração de não escutar plenamente uma palavra;

A presenteiam-se pela sua impossibilidade de não ser….completa;

 

 

Essa culpa, me parece, é expressão das mais belas que existe na relação mãe-filho: a linguagem e todos os (d)efeitos que ela acarreta.

 

 

Pois não seria justamente nessa culpa que o desejo se comunica?

Não seria nessas reprovações que uma mensagem mais fundamental é transmitida?

Não seria nesse querer, quase sempre impossível, que uma fala é, essa sim, é possível?

 

P.S: como base em extensão ao que escrevi, trago esse outro, fantástico!, de Maria Rita Kehl. Leiam-o por inteiro!

Lula “Humanizado” e o Movimento #partiubrasil

Engraçado como operam os efeitos da empatia…

Nas últimas semanas, ficou muito difícil ficarmos indiferentes ao agravamento da crise política aqui do Brasil. Grampos, golpes e galhofas mil tomaram conta do noticiário; mesmo o mais desavisado, alheio, alardeava: “Põe nas notícias!”

 

De novo, engraçado o efeito da empatia…

A mim, sob seu efeito, surgiu uma personagem inusitada: o Lula Humanizado.

 

Essa personagem contrasta ferozmente e eloquentemente com aquela que estamos acostumadas a ver: rábico, bufando palavras de ordem a seus companheiros; incendiando o país…

 

Confesso, me tornei fã do Lula Humanizado. Dessa novela, espero o próximo capítulo!

 

O Lula Humanizado é, finalmente, gente como a gente. É gente como nós, que leva o famoso “cagaço” do Estado (thanks Aspones!); que perpetua o “hã-hãn” como figura de linguagem desse mesmo cagaço que, de tão comum a nós, humanos brasilis, desperta uma empatia sem igual a esse homem messiânico (até então…).

 

Empatia essa que simpatiza Lula e o torna sujeito de toda sua estória.

 

Por outro lado, vejo o recrudescimento na verve de quem pede sua cabeça: “Finalmente”, bradam eles! “Afinal exposto”, gritam as passeatas!

 

Caído, Lula, como nunca antes na história deste país, na sua estória, serve de espelho a nós, brasileiros.

Todos ansiosos, aguardamos que algo seja concluído; por nós, para nós, em nós…

 

Esse Lula Humanizado é a representação mais fiel do Brasil, maior que qualquer ideologia; mais completa que qualquer partido!

 

Aliás, de partido entendemos muito bem! Afinal, não cansamos de falar quão polarizada, “partida”, está nossa nação. “Partido” significa a nossa própria incapacidade de se enxergar nas implicações de Lula Humanizado.

 

Como cães diante do espelho, ladramos para nossa própria imagem…

 

#partiuBrasil

 

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