O Piropo

Caos e Psicanálise…

Do útero à Culpa

E sobre a culpa que as mães sentem?

 

A sentem por não estar presente num momento importante de seu filho;

A sofrem pela distração de não escutar plenamente uma palavra;

A presenteiam-se pela sua impossibilidade de não ser….completa;

 

 

Essa culpa, me parece, é expressão das mais belas que existe na relação mãe-filho: a linguagem e todos os (d)efeitos que ela acarreta.

 

 

Pois não seria justamente nessa culpa que o desejo se comunica?

Não seria nessas reprovações que uma mensagem mais fundamental é transmitida?

Não seria nesse querer, quase sempre impossível, que uma fala é, essa sim, é possível?

 

P.S: como base em extensão ao que escrevi, trago esse outro, fantástico!, de Maria Rita Kehl. Leiam-o por inteiro!

Lula “Humanizado” e o Movimento #partiubrasil

Engraçado como operam os efeitos da empatia…

Nas últimas semanas, ficou muito difícil ficarmos indiferentes ao agravamento da crise política aqui do Brasil. Grampos, golpes e galhofas mil tomaram conta do noticiário; mesmo o mais desavisado, alheio, alardeava: “Põe nas notícias!”

 

De novo, engraçado o efeito da empatia…

A mim, sob seu efeito, surgiu uma personagem inusitada: o Lula Humanizado.

 

Essa personagem contrasta ferozmente e eloquentemente com aquela que estamos acostumadas a ver: rábico, bufando palavras de ordem a seus companheiros; incendiando o país…

 

Confesso, me tornei fã do Lula Humanizado. Dessa novela, espero o próximo capítulo!

 

O Lula Humanizado é, finalmente, gente como a gente. É gente como nós, que leva o famoso “cagaço” do Estado (thanks Aspones!); que perpetua o “hã-hãn” como figura de linguagem desse mesmo cagaço que, de tão comum a nós, humanos brasilis, desperta uma empatia sem igual a esse homem messiânico (até então…).

 

Empatia essa que simpatiza Lula e o torna sujeito de toda sua estória.

 

Por outro lado, vejo o recrudescimento na verve de quem pede sua cabeça: “Finalmente”, bradam eles! “Afinal exposto”, gritam as passeatas!

 

Caído, Lula, como nunca antes na história deste país, na sua estória, serve de espelho a nós, brasileiros.

Todos ansiosos, aguardamos que algo seja concluído; por nós, para nós, em nós…

 

Esse Lula Humanizado é a representação mais fiel do Brasil, maior que qualquer ideologia; mais completa que qualquer partido!

 

Aliás, de partido entendemos muito bem! Afinal, não cansamos de falar quão polarizada, “partida”, está nossa nação. “Partido” significa a nossa própria incapacidade de se enxergar nas implicações de Lula Humanizado.

 

Como cães diante do espelho, ladramos para nossa própria imagem…

 

#partiuBrasil

 

Neofeudalismo

Em tempos de banalizações dos discursos de esquerda, a mais-valia nunca esteve tão presente, mesmo que velada, em nossas vidas.

 

Na política dos “Termos e Condições” que assinamos sem ler de nossas várias manifestações nas mídias sociais, essencialmente estamos dando pleno poder a essas empresas; e quando a balança pende completamente para um lado, o outro se esfacela.

Perdemos assim controle de nossas produções, de nosso direito de queixa pela forma como essas produções podem ser utilizadas por essas companhias e, por fim, mas de forma muito mais sinistra, damos a elas o direito pleno para nos “obliterar” de suas plataformas; sem mais, nem menos, assinamos nosso obituário…

 

Nos tornamos combustível para uma indústria de capital tão brutal que faria Marx pagar todas suas dú(í)vidas; envergonhado por se levantar contra aquele então tão demonizado capitalismo…

 

E esse capital é a totalidade de nossas vidas, em sua forma digital.

 

Assim, como no feudalismo, trocamos o direito de sermos por um quinhão de terra; atualmente, essa terra se traduz a um login e um perfil na sua mídia social de escolha.

 

O poder do consumo alcançado no ocaso de nossa espécie mascara a inefável verdade de que há consumo sim, mas de nós, via nós mesmos, pela mão maciça de um Outro; que hoje, para além dos piores pesadelos orwellianos, é presente e pornograficamente real…

 

No século XXI, é necessária uma nova política…mas estamos dispostos a busca-la?

Consumismo da Linguagem

Ao ler esse texto, não pude deixar de questionar a minha atual posição de distância das palavras. Aridez do dizer que surge justamente quando tanto se diz, de tudo (nada).

Nesse mundo verborrágico, quem escolhe ficar mudo, assiste de camarote (agregando valor, claro…)

 

Assim, prometo retomar, com mais frequência, esse espaço de palavras. Não acho que o mutismo seja solução, mas desolação…

Acho o tema muito pertinente e merecedor de mais reflexão…e vocês?

Nós controlamos o medo?

Pode ser coisa da minha cabeça, paranoia de sala de estar, mas não estamos caminhando em direção à fantasia do filme “Idiocracia”?

Para quem não conhece, o filme retrata uma distopia onde o mais mediano dos seres humanos é considerado um gênio diante de uma nação de energúmenos. O filme, dentre várias sacadas cada vez mais possíveis (para meu espanto!), traz um viés que gostaria de abord(t)ar aqui: a nossa “escolha” de certezas e nossa consequente cegueira às demais ideias.

 

Poxa, será mesmo, então, que é só coisa da minha cabeça a nossa crescente truculência diante de opiniões contrárias?

Não estou aqui adotando qualquer tipo de gênero ou posição, mas ao desfile de opiniões, se silenciou o debate.

 

Todos os macaquinhos devidamente arvorados a jogar merda entre si….

 

Li uma contrapartida a esse status quo e, claro, vou compartilha-la com vocês. Leiam e chorem (ou algo que valha…)…

 

Aproveitando, vou os deixar com uma música da nova banda de Baron, Tau Cross, cujo título nos dá um pouco do caminho que devemos seguir para nos livrar desse excesso de certezas…

 

 

Malaise

Quando a frustração é de tal maneira arrebatadora, parecendo sublimar o ar que tu respiras, o que fazer?

 

Essa frustração se repete e aparece nas mais mínimas ocasiões; minando sua própria fome de viver e vontade de seguir em frente.

Acossado, vago de rotina em rotina procurando algo, qualquer coisa, que acendesse uma chama; esperança vã, pois se algo vir mesmo a arder, vai ser sua/minha /nossa própria carne…

 

Desse jeito, prostrado, parece que as horas se aglutinam; maçaroca insana da teoria da relatividade colocada em ato; prova irrefutável da desengrenagem quântica…

 

Hoje foi o wi-fi? O que vem a seguir?

 

Mundanamente, se discute as proibições cristãs da carne. Tapetes são abertos e destruídos; a eterna roda da “vida” se repete, repete, repete, reptep ,eptepe, repte, ….

 

Nessa condição, o menino de 12 anos se coloca; eternizado no spleen; bile revirada pela maresia das sensações.

 

Engraçado: quanto mais avanço, mais retorno. Tempo cronológico, you bitch!

 

Mas o que me propele à frente é a curiosidade; aquela caça ao tesouro da juventude que encerra um mundo inteiro de esperança e surpresas. Se essa curiosidade se for, o que me resta é somente a resignação de ser, em mim mesmo, uma promessa jamais cumprida; uma traição ao outro; um desejo não realizado…

De muitos recortes esse texto foi construído; de quantos mais ainda precisarei me esconder?

Dívida ou divi(di)da?

Engraçado quando nos deparamos com um significante que nos define não? Aquelas palavras, sempre a sua frente, flutuando, aparecendo, reaparecendo, vomitadas, nunca engajadas…

Eis então, como que por um passe de mágica, seu sentido se desdobra, cola a outras palavras, e faz efeito…e que efeito!

 

Há alguns meses escutei que o campo da psicanálise, por acontecer num espaço simbólico, abstrato, é extremamente difícil de suportar…e é mesmo!

Quão rapidamente pedimos socorro às amarrações imaginárias que nos parecem bem mais confortáveis, sempre que nosso chão da realidade parece sacudir diante da ação da palavra cortante.

 

Mas como ciência do impossível, contraponto da definição clássica da política, é justamente pela via do descalabro que desabrochamos; nada permanece, somente os black dots…

 

Mas por que no feminino?

 

(mis)Fortunes of War

Voltando aos exercícios de realidade…..

Tem me chamado a atenção, ultimamente, a quantidade de vídeos pornôs amadores e sua variada hoste de assuntos e fetiches: ora vemos professoras transando com seus alunos; ora lolitas modernas se oferecendo às telas de smartphones ao redor do mundo; ora zoofilias, necrofilias….

Resumindo, a “filiação” nunca foi tão desejada!

Explico: tomo “filiação” como significante (por isso das aspas), pois entendo que encerra, como todo significante, inúmeros sentidos. Para efeito desse texto, tomarei os dois que me saltaram mais aos ouvidos.

De um lado, penso na “filiação” como esse processo de expansão da genitalidade pelas vias da tecnologia; mais precisamente, pela internet e sua, ainda, surpreendente capacidade de nos conectar (aos adeptos ao duplo sentido: regozijai-vos!). Projeto em vias de se realizar do perverso polimorfo de Freud…

E de outro, a “filiação” alude ao ato de ser filiado a algo, mais precisamente, a um pai e mãe (ou algo que o valha).

Bom, não é sem ironia que podemos pensar essa mesma palavrinha através desses dois sentidos….afinal, o que de paternidade e de bons costumes teria, podemos pensar, essa bacanalidade toda?

Só um adendo: não estou fazendo aqui o papel do moralista; julgando o certo ou errado disso tudo. Muito pelo contrário! Minha intenção é simplesmente abrir um espaço para discussão viu? Aos hipócritas, forç(c)a!

Voltando….há uns textos atrás (26/03, mais precisamente), falei da morte do Pai (ou de deus, para as viúvas de Nietzsche…) e de seus efeitos em nossa subjetividade/sociedade. Pois bem, eis um deles!

Sozinhos e ensanguentados depois do assassinato do bom velho, nos largamos ao gozo. Aos espólios!, disseram os russos há 70 anos….

Porém, como as mentiras, esse tipo de alegria tem perna curta. Me parece, e essa é só uma hipótese, que na ressaca da manifestação de nossas perversões, nos sentimos sozinhos, abandonados….culpados….

E a quem podemos apelar?

Para finalizar, quero expressar só mais uma opinião: não acho que devamos refundar uma nova sociedade, voltada aos velhos costumes e tradições. Aliás, acho isso temerário. Cabe sim, a nós, humanidade, buscar novas formas de se subjetivar e de se fundar.

Nossa caminhada só está começando…

Cavalo-marinho

Pode a paranoia, o limite decaído, gestar bebês?

Não é de hoje, sinto que a minha escuridão tem parado de engatinhar para andar em duas pernas. Corre mais livre, se vocês preferirem….

São bebês negros, esses black dots que me afogam na enxaqueca e me definem; trespassados pelo meu corpo, acabam por formar a tinta das minhas tatuagens; contornando, impondo, transformando…

Hermético, o cavalo-marinho-humano gesta sua infindável prole de insanidades.

Qual o preço para ser dividida?

Há muito grávido, o cavalo-marinho-humano finalmente pari sua prole de significados. Em seguida, elabora uma depressão pós-parto e maniacamente persegue sua cria de significados….

Canibalizados, os significados finalmente significam…e a verdade finalmente prevalece

Estrangulado….

Há muito tempo tenho sentido a sensação de que estou sendo estrangulado; sufocado.

Creio que seja algo relativamente comum nesse opressivo mundo que vivemos. Inclusive, esse mesmo tema inspirou a música “Suffocation” do Against Me….

Porém, tudo não passa de uma grande bobagem!

Poderia (e sei que ressoaria nos ouvido de muitos) ficar decantando as agruras de nossa moderna sociedade; seu aparente frieza e aridez. Gastaria mil palavras para dizer de sua preocupação exagerada com o outro, na sua total complacência com si mesmo. Mas, ao fazê-lo, choveria no molhado…

Prefiro falar do desejo…..

Desejo, no entanto, não se resume às querências nossas do dia a dia. Tomo desejo desde a base de Hegel, Freud e Lacan.

Desejo pelo que o outro deseja (em e por nós)….

Acabei de saber que alguém muito querido se lançou numa viagem em busca da realização de seu desejo. Fiquei arrepiado! Que sensação energizante!

Não se enganem pela banalização do uso que recorrentemente fazemos dessa palavra: quem de fato se lança em busca do seu desejo está cumprindo, de fato, com o papel mais importante que um ser humano pode ter em vida.

“O” ato de coragem, por excelência!

E assim, impossível não se dar conta da ironia do nome da banda, Against Me….o desejo, por expressão simbólica do Real, deve, sempre, derrubar o Eu e suas maquinações imaginárias.

Eis o nosso grande desafio!

Uma ótima viagem e até logo!

 

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